Quem chega a esta página costuma chegar pela formulação clássica da Almeida — a que se decora na infância e se sublinha na primeira Bíblia. Ela é servida acima na íntegra; logo abaixo, a mesma frase em tradução contemporânea, porque as duas juntas mostram o que nenhuma mostra sozinha.
Amar, aqui, é um verbo de entrega
O versículo não diz que Deus sentiu algo pelo mundo; diz o que Deus fez por ele. Os leitores
antigos da Catena Aurea insistiram nessa gramática. Hilário, no século IV, formulou o princípio:
devem ser preciosas as coisas que provam o nosso amor; coisas grandes devem evidenciar a sua
grandeza
. Um amor declarado se prova pelo tamanho do que entrega — e o que foi entregue,
observa a mesma corrente de comentário, não admite substituto: Deus não deu um servo, nem um
Anjo, nem um Arcanjo, mas o seu Filho
.
A distância que o amor atravessou
Crisóstomo mediu a frase pelo intervalo entre as partes: pois grande, de fato, e infinita
é a distância entre os dois
— de um lado o Deus eterno, do outro criaturas carregadas de
pecados inumeráveis
. O espanto do versículo não está em Deus amar o que é amável; está em o
presente atravessar exatamente essa distância. O mundo da frase não é o mundo bonito dos
cartões; é o mundo que estava de costas.
Para onde a frase aponta
A metade que começa com o amor termina com um propósito: que ninguém que creia se perca. As duas metades foram feitas para ficar juntas — quem examina a segunda encontra o estudo completo em João 3:16 em quatro traduções, e quem quer ouvir os leitores mais antigos da frase encontra a corrente inteira em Pais da Igreja.